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Tutorial

Six Sigma

Como medir defeitos, achar a causa raiz e reduzir a variação de um processo: o significado dos 3,4 defeitos por milhão, os papéis e faixas, o ciclo DMAIC, as ferramentas e as métricas.

O que é Six Sigma

Six Sigma é um método disciplinado, orientado por dados, para melhorar processos e entregar produtos e serviços quase sem defeitos. [1] [2] Ele tem estas características:

  • busca eliminar desperdício e ineficiência, e com isso aumentar a satisfação do cliente, entregando o que ele espera;
  • segue uma metodologia estruturada, com papéis definidos para os participantes;
  • depende de dados: exige coleta precisa de dados dos processos analisados;
  • busca resultados que apareçam nos demonstrativos financeiros;
  • atua em várias frentes: melhorar processos, reduzir defeitos, reduzir a variação, cortar custos, aumentar a satisfação do cliente e os lucros.

A palavra sigma (σ) é o símbolo estatístico do desvio-padrão, que mede o quanto um processo varia em torno da média. A ideia central é simples: se você consegue medir quantos defeitos um processo tem, consegue descobrir de forma sistemática como eliminá-los e chegar perto do “zero defeito”. No nível seis sigma, isso significa 3,4 defeitos por milhão de oportunidades, ou 99,99966% de acerto. [3]

Conceitos-chave

ConceitoO que significa
Crítico para a qualidade (CTQ)Os atributos mais importantes para o cliente. [12]
DefeitoDeixar de entregar o que o cliente quer.
Capacidade do processoO que o processo consegue entregar.
VariaçãoO que o cliente vê e sente.
Operação estávelProcessos consistentes e previsíveis, para melhorar o que o cliente vê e sente.
Projeto para Six Sigma (DFSS)Projetar para atender às necessidades do cliente e à capacidade do processo.

Os clientes sentem a variação, não a média.

Por isso o Six Sigma ataca primeiro a variação do processo e só depois melhora a sua capacidade. Uma entrega que leva 30 minutos em média, mas às vezes 10 e às vezes 60, irrita mais do que uma que leva sempre 35.

Por que “seis sigma”

Num processo com distribuição normal, o nome diz quantos desvios-padrão cabem entre a média e o limite de especificação mais próximo, definido pelo cliente. Em “seis sigma”, cabem seis. [3]

Curva normal centrada na média, com marcas de −6σ a +6σ e os limites de especificação inferior e superior em −6σ e +6σ. Uma segunda curva tracejada mostra a média deslocada 1,5σ para a direita. Uma nota indica que, mesmo com o deslocamento, apenas 3,4 resultados por milhão ficam além do limite superior.
Seis desvios-padrão entre a média e cada limite; os 3,4 por milhão já consideram um deslocamento de 1,5σ.

Um detalhe importante, que costuma ficar de fora: com o processo perfeitamente centrado, seis sigma dariam cerca de 2 defeitos por bilhão. Os famosos 3,4 por milhão vêm de uma convenção proposta por Mikel Harry: supõe-se que, no longo prazo, a média do processo se desloca até 1,5σ. Assim, um processo “seis sigma” no curto prazo se comporta como um processo de 4,5σ no longo prazo. [3] O valor de 1,5 é empírico e recebe críticas, mas é o usado nas tabelas de conversão.

Barras horizontais em escala logarítmica com os defeitos por milhão de oportunidades de cada nível sigma: 1σ, 691.462 e rendimento de 30,9%; 2σ, 308.538 e 69,1%; 3σ, 66.807 e 93,3%; 4σ, 6.210 e 99,4%; 5σ, 233 e 99,977%; 6σ, 3,4 e 99,9997%.
Defeitos por milhão de oportunidades em cada nível sigma, já com o deslocamento de 1,5σ.

Origem e história

  • O Six Sigma foi introduzido pelo engenheiro Bill Smith na Motorola, em 1986, num esforço para reduzir drasticamente as falhas de produto. Smith morreu em 1993, antes de ver o alcance que o método teria. [3] [4]
  • Em 1995, Jack Welch o tornou central na estratégia da General Electric, o que popularizou o método no mundo todo. [3]
  • Ele se apoia em teorias anteriores de gestão da qualidade, como os 14 pontos de W. Edwards Deming e os passos para a qualidade de Joseph Juran. [7] [8]
  • Em 2011, a ISO publicou a norma ISO 13053, que descreve o método DMAIC. [6]
  • Hoje é comum a combinação com o Lean, chamada Lean Six Sigma: o Lean ataca o desperdício e o tempo; o Six Sigma, a variação e os defeitos. [23]

Mitos e benefícios

  • “Só serve para reduzir defeitos”

    Realidade: também reduz custos e tempo de ciclo e aumenta a satisfação do cliente.

  • “É coisa de fábrica”

    Realidade: vale para qualquer processo repetível, inclusive serviços, TI, finanças e saúde.

  • “Não se aplica à engenharia”

    Realidade: o DFSS existe justamente para projetar produtos e processos.

  • “Exige estatística difícil”

    Realidade: a maioria das ferramentas é simples, como Pareto, Ishikawa e histograma.

  • “É só treinamento”

    Realidade: treinamento sem projetos reais e sem apoio da liderança não gera resultado.

Os seis principais benefícios que atraem as empresas são: [5]

  • gera sucesso sustentado;
  • define uma meta de desempenho para todos;
  • aumenta o valor entregue ao cliente;
  • acelera o ritmo de melhoria;
  • promove aprendizado e troca de conhecimento entre áreas;
  • executa mudanças estratégicas.

Clientes, processos e pessoas

A melhoria de processos no Six Sigma se apoia em três elementos:

  • Clientes: são eles que definem a qualidade. Esperam desempenho, confiabilidade, preço competitivo, entrega no prazo, bom atendimento e transações claras e corretas.
  • Processos: defini-los, junto com as suas métricas, é o centro do método. A qualidade deve ser vista pelo lado do cliente, de fora para dentro: entendendo o ciclo da transação do ponto de vista dele, descobrimos o que ele vê e sente e onde estão os pontos fracos.
  • Pessoas: toda a empresa precisa participar, com oportunidades e incentivos para usar os seus talentos em favor do cliente. Cada membro da equipe deve ter um papel bem definido, com objetivos mensuráveis.

Papéis e faixas

Num programa Six Sigma, cada pessoa recebe um papel específico. Essa estrutura é o que permite levar o método a toda a organização.

Pirâmide com cinco camadas. No topo, liderança e patrocinador, que define metas, escolhe projetos e remove barreiras. Depois, Master Black Belt, que treina e orienta os Black Belts. Black Belt, com dedicação integral, lidera projetos DMAIC. Green Belt, em tempo parcial, lidera projetos menores ou apoia o Black Belt. Na base, membros da equipe e o dono do processo, que mantém o ganho.
Os papéis e as faixas, do conselho de liderança ao dono do processo.

Os papéis

PapelResponsabilidades
Liderança (conselho)Define o propósito do programa, explica como o resultado beneficia o cliente, fixa cronograma e prazos, cria formas de acompanhamento e apoia a equipe.
Patrocinador (champion)Executivo que entende o método e está comprometido com o sucesso; dono dos processos e sistemas, ajuda a iniciar e coordenar as melhorias na sua área e resolve problemas do projeto.
Líder de implantaçãoSupervisiona o esforço da equipe, garante o plano de implantação, resolve problemas, organiza treinamentos e ajuda o patrocinador a motivar o time.
CoachEspecialista ou consultor que faz a ponte entre patrocinador e liderança, organiza o trabalho, define os resultados esperados e media conflitos e resistências.
Líder de equipeSupervisiona o trabalho do time, define metas com o patrocinador, escolhe membros e recursos e mantém o projeto no prazo.
Membro da equipeExecuta tarefas específicas do projeto, com prazos, junto com os demais.
Dono do processoAssume o processo depois que a equipe termina, para manter o ganho.

As faixas

As cores de faixa vêm das artes marciais e indicam nível de experiência. Elas não substituem os papéis acima.

  • Master Black Belt: não é membro direto da equipe; orienta a liderança e os Black Belts, responde a dúvidas de método e resolve questões técnicas.
  • Black Belt: passou por treinamento completo e tem experiência em vários projetos; com dedicação integral, costuma ser o líder da equipe.
  • Green Belt: menos experiente que o Black Belt e em tempo parcial; pode liderar projetos menores ou trabalhar junto ao líder da equipe.

Como começar

O Six Sigma é para você?

Antes de adotar o método, vale uma avaliação honesta de prontidão:

  • a estratégia da empresa está clara, e a visão de futuro é bem comunicada?
  • a organização responde bem a novas circunstâncias?
  • quão bem ela atende aos requisitos dos clientes e gerencia os processos que cruzam áreas?
  • outras iniciativas de mudança vão competir com o Six Sigma ou apoiá-lo?
  • existe um caso de retorno sólido? O Six Sigma exige investimento; sem retorno claro, é melhor não começar;
  • se já existe um programa de melhoria forte e eficaz, por que trocar?

Custos

Os principais itens do orçamento são: salários de quem se dedica em tempo integral; o tempo de executivos, equipes e donos de processo em coleta de dados e medições; treinamento e consultoria; e o custo de implantar as melhorias.

Primeiros passos

  1. Trace o seu caminho: o melhor é o que funciona para a sua organização.
  2. Defina o objetivo e as prioridades.
  3. Fique no que é viável com a sua influência, recursos e escopo.
  4. Prepare os líderes que vão lançar e guiar o esforço.
  5. Monte a organização Six Sigma: forme Black Belts e os demais papéis.
  6. Treine a organização toda, não só os Black Belts.
  7. Faça um piloto antes de expandir.

Escolha dos projetos

Escolher o problema certo é um dos maiores desafios. Há duas abordagens:

  • De cima para baixo: ligada à estratégia e às necessidades dos clientes. O risco é o escopo ficar grande demais para caber nos 3 a 6 meses típicos de um projeto.
  • De baixo para cima: os Black Belts escolhem projetos adequados à capacidade das equipes. O risco é o projeto não estar ligado à estratégia e receber pouco apoio da direção.

DMAIC, DMADV e DFSS

MetodologiaQuando usarFases
DMAICMelhorar um processo que já existe.Definir → Medir → Analisar → Melhorar (Improve) → Controlar
DMADVCriar um produto ou processo novo, previsível e sem defeitos.Definir → Medir → Analisar → Projetar (Design) → Verificar
DFSSProjetar ou reprojetar do zero para atingir qualidade seis sigma.Variantes como DMADV e IDOV (Identificar → Projetar → Otimizar → Verificar)

Às vezes um projeto DMAIC vira DFSS, quando se descobre que o processo precisa ser totalmente redesenhado para chegar à melhoria desejada. [9] [10]

Nas fases do DMADV: definir o problema ou objetivo; medir e determinar as necessidades e especificações do cliente; analisar o processo para atendê-las; projetar um processo que as cumpra; e verificar o desempenho do projeto. No DFSS, a fase de otimizar determina a capacidade do processo e ajusta o projeto antes da verificação.

DMAIC passo a passo

Cinco colunas ligadas por setas, uma por fase do DMAIC. Definir: qual é o problema e para quem, com termo de abertura, SIPOC, árvore CTQ e voz do cliente. Medir: quão grande ele é, com plano de coleta, DPMO, FMEA e capacidade. Analisar: qual a causa raiz, com Ishikawa, 5 porquês, Pareto e dispersão. Melhorar: como eliminar a causa, com diagrama de afinidade, matriz de critérios, piloto e poka-yoke. Controlar: como manter o ganho, com carta de controle, padronização, plano de resposta e dono do processo. Uma seta tracejada volta de Controlar para Definir.
As cinco fases do DMAIC, a pergunta de cada uma e as ferramentas mais usadas.

D: Definir

Quatro tarefas principais:

  1. Formar a equipe: quem participa e com qual papel. Se o projeto envolve muitos departamentos, é melhor quebrá-lo em projetos menores.
  2. Documentar os clientes e os processos: todo projeto tem clientes, que recebem o produto ou serviço do processo. Cada cliente tem necessidades, e cada necessidade tem requisitos, as características que determinam se ele fica satisfeito.
  3. Escrever o termo de abertura (project charter): nome do projeto, caso de negócio, escopo, metas, marcos, requisitos e premissas especiais e papéis da equipe.
  4. Desenhar o SIPOC: o mapa de alto nível com fornecedores, entradas, processo, saídas e clientes. [11]
Cinco colunas: fornecedores (restaurante, aplicativo, entregador, fornecedor de insumos); entradas (pedido, ingredientes, endereço, pagamento); processo (receber o pedido, preparar, embalar, entregar); saídas (comida entregue, recibo, avaliação, dados de tempo); clientes (quem pediu, restaurante, aplicativo).
SIPOC de um serviço de entrega de comida, o exemplo usado ao longo deste tutorial.

Ao fim da fase, você deve saber quem é o cliente, quais são os seus requisitos e resistências, e ter clareza sobre metas, escopo, orçamento e prazos.

M: Medir

Mede-se o desempenho atual do processo, em três partes:

  • Plano e coleta de dados: que dados coletar e de onde. As fontes são as entradas, o processo (tempo, custo, valor, defeitos, trabalho) e as saídas.
  • Avaliação dos dados: calcula-se o número de defeitos por milhão de oportunidades (DPMO) e, com ele, o nível sigma. Um defeito é qualquer coisa fora da especificação do cliente; uma oportunidade é cada chance de ocorrer um defeito.
  • FMEA (análise de modos de falha e efeitos): prevenir defeitos antes que aconteçam.
              número de defeitos
DPMO = ─────────────────────────────────────── × 1.000.000
        número de unidades × oportunidades por unidade

Exemplo: a equipe do serviço de entrega examina 50 entregas, cada uma com 3 oportunidades de defeito, e encontra 13 atrasos, 3 pedidos errados e nenhuma comida fria:

        13 + 3
DPMO = ──────── × 1.000.000 = 106.667   →   cerca de 2,7σ
        50 × 3

Pela tabela de conversão, 106.667 DPMO fica entre 2,7σ e 2,8σ (o valor exato é 2,74σ). Esse é o ponto de partida, a linha de base contra a qual a melhoria será medida.

FMEA: para cada modo de falha possível, dão-se notas de 1 a 10 para a severidade (S), a ocorrência (O) e a detecção (D; quanto mais difícil de detectar, maior a nota). O produto é o número de prioridade de risco, RPN = S × O × D, de 1 a 1.000; os maiores recebem ações primeiro. O manual AIAG-VDA de 2019 recomenda trocar o RPN por uma tabela de prioridade de ação (AP), que dá mais peso à severidade. [13]

A: Analisar

O objetivo é achar a causa dos defeitos. Há cinco tipos de análise:

  • Da origem (causa raiz): em três passos: abrir (a equipe levanta todas as explicações possíveis), estreitar (reduz a lista) e fechar (valida com dados as que sobraram).
  • Do processo: um mapa de processo mais detalhado mostra onde estão as maiores ineficiências, comparando com o que é possível e com a concorrência.
  • Dos dados: padrões e tendências nos dados que confirmem ou descartem causas. Os próprios dados podem ter defeitos.
  • Dos recursos: treinamento insuficiente ou falta de insumos também causam defeitos.
  • Da comunicação: quase todo processo com muitos defeitos tem problemas de comunicação, com clientes externos e internos.
Espinha de peixe com o efeito entrega atrasada na cabeça. Seis espinhas com as categorias dos 6M e duas causas cada: método (rota sem otimizar, pedidos agrupados), mão de obra (entregador novato, pouca gente no pico), material (embalagem frágil, ingrediente em falta), máquina (moto quebrada, app travando), medição (preparo não medido, previsão imprecisa) e meio ambiente (chuva, trânsito no pico).
Diagrama de Ishikawa para o problema “entrega atrasada”, com as categorias dos 6M.

O diagrama de Ishikawa organiza as causas possíveis por categorias, e os 5 porquês aprofundam cada uma: pergunta-se “por quê?” até chegar à causa raiz. [14] [15] Por exemplo: a entrega atrasou → por quê? A comida saiu tarde → por quê? A cozinha recebeu vários pedidos juntos → por quê? O aplicativo libera os pedidos em lotes → por quê? A configuração padrão nunca foi revista.

I: Melhorar

Se a análise da causa raiz foi bem feita, esta fase pode ser rápida. Os objetivos são:

  • gerar ideias de solução que eliminem as causas raiz;
  • definir critérios para avaliar as soluções, priorizá-las e testar a viabilidade das melhores;
  • desenhar o estado futuro e estimar o novo nível sigma;
  • fazer a análise de custo e benefício e um plano de implantação preliminar;
  • testar a solução em escala reduzida (piloto) e, quando possível, tornar o erro impossível com um poka-yoke, um dispositivo à prova de erro. [21]

C: Controlar

Garante que o processo continue funcionando bem depois do projeto. Quatro aspectos:

  • Controle da qualidade: acompanhar se o padrão é atingido, detectar problemas e corrigi-los.
  • Padronização: a maior parte do trabalho deve seguir o procedimento padrão.
  • Métodos de controle e alternativas: procedimentos para controlar o fluxo e alternativas para quando o processo não puder seguir o padrão.
  • Resposta aos defeitos: vigiar os pontos fracos e ter um plano de resposta pronto para quando um defeito aparecer.
Gráfico de linha com 25 pontos diários do tempo de entrega, uma linha central na média e limites de controle superior e inferior tracejados em mais e menos três sigma. Quase todos os pontos ficam dentro dos limites, o que indica variação de causa comum; um ponto acima do limite superior está destacado como causa especial, a investigar.
A carta de controle separa a variação normal do processo dos eventos que pedem investigação.

A carta de controle é a principal ferramenta desta fase. Os limites ficam, em geral, a três desvios-padrão da média. Pontos dentro deles mostram variação de causa comum, inerente ao processo, que só se reduz mudando o processo; um ponto fora mostra uma causa especial, um evento incomum que deve ser investigado. [19] [24]

As dez ferramentas técnicas

Estas são as ferramentas que todo membro de equipe Six Sigma deve dominar, na ordem em que aparecem no DMAIC. A maioria é fácil de aprender.

  1. Árvore CTQ: parte do cliente, identifica a sua necessidade e a desdobra em requisitos mensuráveis. [12]
  2. Mapa de processo: retrato dos passos atuais, começando pelo SIPOC.
  3. Histograma: mostra a distribuição de dados contínuos, como tempo e peso.
  4. Gráfico de Pareto: para dados discretos (sim ou não, com ou sem defeito), conta as ocorrências por motivo e as ordena da maior para a menor.
  5. Planilha-resumo do processo: indica quais passos agregam valor e quais não agregam.
  6. Diagrama de causa e efeito (Ishikawa): reúne as ideias da equipe sobre as causas raiz.
  7. Diagrama de dispersão: valida com dados uma suspeita de causa, cruzando-a com o resultado que se quer melhorar.
  8. Diagrama de afinidade: organiza muitas ideias em grupos: cada pessoa escreve uma ideia por post-it, a equipe agrupa as semelhantes e dá um título a cada grupo.
  9. Gráfico de sequência: se o histograma e o Pareto são fotografias, o gráfico de sequência é um filme: acompanha uma medida ao longo do tempo.
  10. Carta de controle: um gráfico de sequência com limites de controle calculados a partir dos dados.

O princípio de Pareto

O economista italiano Vilfredo Pareto observou, no fim do século XIX, que cerca de 80% da riqueza estava nas mãos de 20% da população. Joseph Juran generalizou a ideia para a qualidade: poucas causas (“os poucos vitais”) respondem pela maior parte dos problemas. [16] [17]

Gráfico de barras ordenadas com os motivos de 100 entregas atrasadas: trânsito 42, cozinha atrasou 23, endereço incompleto 15, falta de entregador 9, pagamento na entrega 6 e outros 5. Uma linha mostra o percentual acumulado, que chega a 80% nas três primeiras causas, marcadas como poucos vitais.
No exemplo da entrega, três causas explicam 80% dos atrasos.

Capacidade do processo: Cp e Cpk

A capacidade compara a variação do processo com a tolerância do cliente. [18] [20]

Cp  = (LSE − LIE) / 6σ
Cpk = mín(LSE − μ, μ − LIE) / 3σ

O Cp diz se o processo caberia na especificação; o Cpk diz se ele cabe de fato, considerando onde está a média. Um processo seis sigma centrado tem Cp = 2,0; com o deslocamento de 1,5σ, o Cpk fica em 1,5.

Métricas de defeitos

Lembrando: um defeito é qualquer coisa fora da especificação do cliente, e uma oportunidade é cada chance de ocorrer um defeito. As fórmulas mais usadas:

MétricaFórmulaNo exemplo da entrega
Defeitos por unidade (DPU)defeitos ÷ unidades16 ÷ 50 = 0,32
Total de oportunidades (TO)unidades × oportunidades por unidade50 × 3 = 150
Defeitos por oportunidade (DPO)defeitos ÷ TO16 ÷ 150 = 0,1067
Defeitos por milhão de oportunidades (DPMO)DPO × 1.000.000106.667
Rendimento acumulado (RTY)produto dos rendimentos de cada etapa95% × 98% × 90% = 83,8%

A probabilidade de encontrar um certo número de defeitos numa unidade, dado o DPU, pode ser estimada pela distribuição de Poisson. O rendimento acumulado mostra por que processos com muitas etapas sofrem: três etapas “boas” de 90% a 98% entregam, juntas, só 83,8% de unidades sem defeito.

Como achar o seu nível sigma

  1. defina com clareza os requisitos explícitos do cliente;
  2. conte os defeitos que ocorrem;
  3. calcule o rendimento, a porcentagem de itens sem defeito;
  4. use a tabela de conversão para achar o DPMO e o nível sigma.
Nível sigmaRendimentoDPMO
1,030,85%691.462
1,550,00%500.000
2,069,15%308.538
2,584,13%158.655
3,093,32%66.807
3,597,73%22.750
4,099,379%6.210
4,599,865%1.350
5,099,977%233
5,599,9968%32
6,099,99966%3,4

Os valores foram calculados pela distribuição normal com o deslocamento de 1,5σ (DPMO = [1 − Φ(σ − 1,5)] × 1.000.000). Eles corrigem a tabela simplificada do texto original, que trazia 62,9% para 2σ e 320 DPMO para 5σ.

Glossário essencial

O texto original traz um glossário extenso, em boa parte ligado ao programa de uma empresa específica. Estes são os termos gerais mais úteis:

Carta de controle
Gráfico do desempenho ao longo do tempo, com média e limites de controle, que separa causas comuns de causas especiais.
Causa comum
Variação normal e cotidiana do processo; só se reduz mudando o processo.
Causa especial
Variação provocada por um evento incomum, fora da operação normal.
Custo da má qualidade (COPQ)
Impacto financeiro das falhas: retrabalho, refugo, inspeção, atrasos e outras atividades que não agregam valor.
CTQ
O que o cliente considera crítico para a qualidade, traduzido em requisitos mensuráveis.
Dado contínuo × discreto
Contínuo pode ser dividido infinitamente (tempo, peso, valor); discreto é contagem ou categoria (sim ou não, tipo de defeito).
Defeituoso
Unidade com um ou mais defeitos.
Definição operacional
Descrição precisa do que se mede e como, para que todos coletem dados do mesmo jeito.
Dono do processo
Responsável pelo processo depois do projeto.
Estratificação
Dividir os dados em grupos (turno, local, tipo) para localizar onde o problema acontece.
Linha de base
O desempenho antes da melhoria, a “foto do antes”.
Mapa “como é” × “como deveria ser”
O processo atual, com gargalos e retrabalho, e o processo melhorado, sem as etapas que não agregam valor.
Modelo de Kano
Classifica os atributos pela reação do cliente: básicos (causam insatisfação se faltam), de desempenho e de encantamento. [22]
PDCA
Planejar, Fazer, Verificar, Agir: o ciclo básico de melhoria contínua, também chamado de ciclo de Shewhart ou de Deming.
Poka-yoke
Termo japonês para “à prova de erro”: mecanismos que impedem o erro de acontecer.
Repetibilidade e reprodutibilidade
A mesma pessoa obtém o mesmo resultado ao repetir a medição; outras pessoas ou instrumentos obtêm o mesmo resultado.
Tempo de ciclo
Tempo para completar o processo do início ao fim, incluindo espera.
Tollgate
Revisão ao fim de cada fase para decidir se o projeto pode avançar.
Voz do cliente (VOC)
Coleta sistemática de requisitos, expectativas e insatisfações do cliente, por pesquisas, reclamações, entrevistas e grupos focais.

Revisão rápida

Tente responder antes de abrir cada pergunta.

1. O que significa “seis sigma” em números?

3,4 defeitos por milhão de oportunidades, considerando que a média do processo se desloca 1,5σ no longo prazo.

2. Por que o Six Sigma ataca primeiro a variação, e não a média?

Porque o cliente sente a variação: resultados imprevisíveis incomodam mais do que uma média um pouco pior, mas estável.

3. Quais são as fases do DMAIC e quando ele é usado?

Definir, Medir, Analisar, Melhorar e Controlar. É usado para melhorar um processo que já existe; para criar um novo, usa-se DMADV ou DFSS.

4. Uma equipe inspecionou 200 notas fiscais, cada uma com 5 oportunidades de erro, e achou 30 erros. Qual é o DPMO?

30 ÷ (200 × 5) × 1.000.000 = 30.000 DPMO, entre 3,3σ e 3,4σ.

5. Para que servem o SIPOC e o termo de abertura?

Na fase Definir: o SIPOC delimita o processo (fornecedores, entradas, processo, saídas, clientes); o termo de abertura registra o caso de negócio, o escopo, as metas e os papéis.

6. Como se calcula o RPN de um FMEA?

Severidade × Ocorrência × Detecção, cada uma de 1 a 10. Os modos de falha com maior RPN (ou maior prioridade de ação) são tratados primeiro.

7. Qual a diferença entre causa comum e causa especial numa carta de controle?

Causa comum é a variação normal, dentro dos limites; só se reduz mudando o processo. Causa especial é um evento incomum, que aparece fora dos limites ou em padrões anormais, e deve ser investigado.

8. Qual a diferença entre Black Belt e Green Belt?

O Black Belt tem treinamento completo, dedica-se em tempo integral e costuma liderar projetos DMAIC; o Green Belt atua em tempo parcial, em projetos menores ou apoiando o Black Belt.

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Referências

  1. Giovani Perotto Mesquita, “Six Sigma”, GitHub Gist, texto original deste tutorial, gist.github.com/GiovaniPM/0730906e9665cbacff214e742738f058.
  2. Tutorialspoint, “Six Sigma Tutorial”, acesso em 25/09/2026, tutorialspoint.com/six_sigma.
  3. Wikipedia (em inglês), “Six Sigma”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Six_Sigma.
  4. Wikipedia (em inglês), “Bill Smith (Motorola engineer)”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Bill_Smith_(Motorola_engineer).
  5. Peter S. Pande, Robert P. Neuman e Roland R. Cavanagh, The Six Sigma Way, McGraw-Hill, 2000.
  6. ISO, ISO 13053-1:2011 — Quantitative methods in process improvement — Six Sigma — Part 1: DMAIC methodology, 2011.
  7. Wikipedia (em inglês), “W. Edwards Deming”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/W._Edwards_Deming.
  8. Wikipedia (em inglês), “Joseph M. Juran”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Joseph_M._Juran.
  9. Wikipedia (em inglês), “DMAIC”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/DMAIC.
  10. Wikipedia (em inglês), “Design for Six Sigma”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Design_for_Six_Sigma.
  11. Wikipedia (em inglês), “SIPOC”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/SIPOC.
  12. Wikipedia (em inglês), “Critical to quality”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Critical_to_quality.
  13. Wikipedia (em inglês), “Failure mode and effects analysis”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Failure_mode_and_effects_analysis.
  14. Wikipedia (em inglês), “Ishikawa diagram”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Ishikawa_diagram.
  15. Wikipedia (em inglês), “Five whys”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Five_whys.
  16. Wikipedia (em inglês), “Pareto principle”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Pareto_principle.
  17. Wikipedia (em inglês), “Pareto chart”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Pareto_chart.
  18. NIST/SEMATECH, e-Handbook of Statistical Methods, “What is Process Capability?”, itl.nist.gov/div898/handbook/pmc/section1/pmc16.htm.
  19. NIST/SEMATECH, e-Handbook of Statistical Methods, “What are Variables Control Charts?”, itl.nist.gov/div898/handbook/pmc/section3/pmc32.htm.
  20. Wikipedia (em inglês), “Process capability index”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Process_capability_index.
  21. Wikipedia (em inglês), “Poka-yoke”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Poka-yoke.
  22. Wikipedia (em inglês), “Kano model”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Kano_model.
  23. Wikipedia (em inglês), “Lean Six Sigma”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Lean_Six_Sigma.
  24. Wikipedia (em inglês), “Control chart”, acesso em 25/09/2026, en.wikipedia.org/wiki/Control_chart.
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